Na minha rotina como missionário da JOCUM DF saio quase que todos os fins de semana para atender algum convite de alguma igreja a nossa base.
Já visitei muitas igrejas dos mais variados tipos, dogmas, tamanhos, classe social e nas constantes trocas de experiência entre mim e alguns colegas chegamos sempre a uma irônica conclusão.
Não dá pra resumí-la em apenas uma frase, por isso vem aí mais um desabafo artigo.
São raríssimias as grandes igrejas nas quais eu me sinto bem e olha que isso não é sintoma da minha síndrome de underground.
Igrejas menores tendem a ser mais humildes e a possuir um número menor de membros com grande poder aquisitivo.
Quanto menos dinheiro uma pessoa tem, mais chances de ter um coração caridoso.
Você que entra aqui nesse blog de vez em quando e acha que eu sou exagerado ou radical demais, note que isso é estatística velha.
O próprio Jesus Cristo já observou isso no episódio da viúva, ao qual apelidei de “Ironia da Viúva”.
Todos sabemos (ou deveríamos saber) que naquela época uma viúva estava fadada a se tornar uma indigente pois naquele contexto não havia uma fonte de renda possível para uma mulher se tornar independente.
Ao lado dessa senhora que deu o pouco que tinha haviam alguns capitalistas dos milênios passados que se achavam o máximo pelas notáveis quantias que entregavam ali, porém, o que só Jesus notou de primeira é que aqueles nobres estavam dando de suas sobras e daquilo que jamais iria fazer falta a eles enquanto a humilde senhora deu a única quantia que tinha.
Bem, ela não amava sua quantia, por isso deu tudo.
O nobres obviamente tinham uma apreciação acima do prudente em relação a seus tesouros. Por isso deram apenas daquilo que não iria fazer falta.
Sempre é mais fácil gerar uma visão missionária em igrejas pequenas. Elas não idolatram seus templos e nem os alugam para casamentos a todo final de semana.
Seus membros muitas vezes sentem na pele o que é passar necessidade, e passar necessidade não significa ter que pedir ao papai para bancar um acampamento ou “retiro” por não ter conseguido guardar as últimas mesadas.
As necessidades as quais me refiro vão desde não ter condições de comprar roupas novas até não ter o que comer.
Quer saber de mais uma ironia? Os donos dos bolsos gordos olham para a frase acima chegam muito próximo de chorar (quando não choram) e consideram isso o fim do mundo enquanto as pessoas que passam por isso estão dando graças a Deus por estarem vivas e por poderem sempre contar com o apoio e ajuda de outras que estão no mesmo barco.
O ser humano é assim. Só aprende a ter um bom coração sofrendo e sentindo dor.
Consiência social e campanhas do agasalho só servem para massagear o ego das sanguessugas do sistema e trazer uma sensação de missão cumprida.
Por sua humildade, igrejas pequenas recebem melhor, são mais acolhedoras, não fazem questão de muito protocolo enquanto as grandes igrejas estão preocupadas com quem poderá subir em seus púlpitos sem envergonhar seu sagrado centenário.
Há algumas poucas igrejas de porte médio e grande nas quais me sinto muito bem, obrigado.
Mas na hora de colocar tudo no papel e fazer um rápido levantamento de dados acabamos por escolher aquele pequena Assembléia de Deus localizada nos confins dos bairros sem asfalto do que as igrejas que mais parecem shopping centers abarrotados de trajes de gala.
Se você ficou revoltado ou com uma discordância raivosa da minha pessoa ao ler isso é quase certeza de que você está incomodado após eu ter tocado em uma pequena ferida sua na qual se recusa a acreditar.
E que venham mais viúvas por favor!
A Ironia da Viúva
7 07UTC Julho 07UTC 2009 por Lucas Mota




