Hoje, como é de costume em todas as quintas, saí bem cedo com alguns companheiros para o CEASA. Todas as semanas vamos até lá na esperança de conseguirmos algumas doações em alimentos para a base. Uma maneira barata (só gastamos com combustível) e razoável para conseguirmos completar uma alimentação básica para aguentar nossos trabalhos do dia a dia.
Não há muito o que se fazer em uma situação dessas. Sempre andamos entre as grandes distribuidoras e comerciais de alimentos sem mencionar nas duas grandes feiras que acontecem diariamente por lá.
Não é preciso dizer que recebemos muitos “nãos” e, como se não bastasse, temos muita “concorrência”. Ao que parece não somos os únicos que usam essa ferramenta para melhorar a alimentação.
Nem sempre ganhamos tudo o que precisamos/queremos e quase sempre ganhamos muito de algo que nem precisamos muito.
Hoje não foi diferente. Dentre tudo o que ganhamos se destacou a grande quantidade de bananas.
Tínhamos mais do que o suficiente para duas semanas mas o que foi marcante no dia de hoje não foi a quantidade de bananas mas sim uma figura que conheci por lá.
Era um cara mais ou menos da minha altura com uma barba notavelmente maior que a minha e longos dredlocks.
Ele também não estava lá por ambição própria mas sim para uma instituição rastafari pela qual trabalha de tempo integral.
Em meio a nossa rápida conversa perguntei se ele gostaria de ficar com algumas bananas (já que ele não tinha conseguido nenhuma). Ele humildemente aceitou e logo em seguida nos ofereceu algumas cenouras.
Após a singela ajuda mútua comentei com ele que em um mundo em que vemos tantas guerras ao mesmo tempo como por exemplo a que está prestes a estourar nas Coréias (ou mesmo sem ir muito longe podemos ver guerras idiotas acontecendo a todo instante nas ruas do nosso país) é bom ver duas criaturas tão diferentes como ele e eu, desde do ponto de vista religioso até o musical passando pela própria compreensão do que é certo, se ajudando desprentenciosamente.
Lembro de terminar com a frase: “Se nós não nos ajudarmos quem vai nos ajudar? Esses políticos?”
Que isso faça com que você repense a maneira pela qual você olha para os outros, principalmente para aqueles que considera extremamente diferentes de você.
Em tempos tão trubulentos não podemos esperar a paz dos lugares óbvios ou a ajuda de quem pode nos ajudar. Com exceção de Deus e de alguns poucos poderosos (e quando digo poucos entenda uns dois ou três no máximo) os únicos que podem nos ajudar são uma pequena parcela dos que estão sofrendo conosco porque o restante dos sofredores está tendando nos tirar o que já conseguimos.
Celebre a paz quando encontrá-la, se não a encontrar, faça!
Quem Vai Nos Ajudar?
4 04UTC Junho 04UTC 2009 por Lucas Mota





Muito legal seu post, pena que poucas pessoas acompanhem e reflitam sobre isso!
To com voce!
Parabéns pela iniciativa de ir em busca de alimentos e ajudar irmãos.
Abraços